COMVEN PARA CONCESSIONARIAS E REVENDEDORAS DE VEÍCULOS  
 
Denatran
Processos e prejuízos acumulados E-mail

O Detran já era sobrecarregado antes da greve dos servidores. Com essa paralisação, o acúmulo de processos pode causar um congestionamento complicado de resolver. No mercado de revenda e de auto-escolas, os prejuízos preocupa.

 A greve do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) chega ao 14º dia e os problemas vão se acumulando. Antes da paralisação, dois mil processos de transferência de veículos já se amontoavam no Detran. Num dia normal, chegam em média 650 novos pedidos do tipo, 150 de revendedores e 500 de despachantes. Fazendo as contas, excluindo os dois domingos do período, cerca de 7.800 transferências se acumularam nas duas últimas semanas. "Imagina o transtorno que vai ser assim que acabar a greve!?", preocupa-se o presidente do Sindicato dos Revendedores de Veículo do Estado do Ceará, José Everton Fernandes.

As revendedoras de carros usados já prevêem problemas sérios no mercado. Os clientes estão saindo com o carro comprado, mesmo sem a transferência, rodando com o veículo no nome do antigo dono. Mas os bancos que financiam o pagamento de 70% dos veículos vendidos, não repassam o valor para as lojas antes da transferência finalizada. Por enquanto, as revendedoras estão se segurando, mas em pouco tempo vão ter dificuldade de comprar carros para revenda. "É muito dinheiro para receber. Vendemos, mas não recebemos. Vamos ter problemas já, já", diz Everton.

Nas concessionárias, a política é diferente. Carros novos, que dispensam vistoria, podem ser emplacados e licenciados pela própria concessionária, que tem acesso ao programa do Detran e trabalha em parceria com o órgão. Mas no caso de carros usados, cujo processo de transferência começa pela vistoria, a greve impede a negociação. As concessionárias só podem liberar o veículo com a transferência finalizada no Detran. O carro fica reservado, à espera do fim da greve. "Não tem solução. Estamos num momento comercial turbulento e ainda tem mais esse complicador", lamenta Ricardo Ponte, diretor comercial de uma concessionária.

Sandoval Farias, 35, trocou de carro na loja onde Ricardo trabalha na semana passada. Vivendo em Morada Nova, ele veio para Fortaleza nessa segunda-feira apenas para finalizar a compra. Não conseguiu. "A expectativa era de que a greve acabasse segunda, já que deram como ilegal. Vim cheio de esperança. Trabalho viajando no carro. Desse jeito fico sem ganhar", reclama. Ele supervisiona cinco lojas em cinco municípios diferentes. Já deu o carro antigo como entrada no negócio e agora está a pé. Quem também está no prejuízo são as auto-escolas. Principalmente os instrutores, que ganham por comissão.

"Temos seis instrutores, três estão parados e outros três têm uma, duas aulas", conta Tânia Chagas, do setor administrativo de uma auto-escola. Se normalmente, eles trabalham de 6h às 17 horas sem intervalo, agora passam o dia parados. Para dar início à aula prática, os alunos precisam passar no teste de legislação, outro serviço suspenso com a greve do Detran. Numa semana normal, a auto-escola de Tânia encaminha cerca de 24 alunos para a prova teórica. O presidente do Sindicato das Auto-Escolas, Clayton Batista, também proprietário de uma empresa, diz que o dinheiro vem, principalmente, das aulas práticas. "Sem aula, não tem receita".

Esta é a terceira semana que seus alunos perdem o exame prático no Detran. "Entre carro e moto são 24 vagas por semana". Mais acúmulo para o Detran dar conta depois. "Perde todo mundo. O usuário, a auto-escola e o próprio Detran", diz Clayton. Todos os dias, o órgão realiza 300 exames práticos. A assessoria do órgão diz que uma força-tarefa deve ser estruturada no retorno das atividades para acelerar a resolução da demanda reprimida.

A GREVE

No dia 24 de setembro, houve a primeira rodada de negociações entre Governo e servidores do Detran. No dia 25, os servidores fizeram uma paralisação para protestar contra as propostas do Governo.

No dia 2 de outubro, o Sindicato dos Trabalhadores na Área de Trânsito do Ceará (Sindetran) deu início à greve.

No dia 3, o juiz Carlos Augusto Gomes Corrêa, da 7ª Vara da Fazenda Pública, decretou o movimento ilegal, entre outros motivos, alegou que os servidores não garantiram 30% do efetivo nos serviços essenciais. Em caso de descumprimento da ordem de retomar as atividades, fixou uma multa de R$ 15 mil para o Sindepran e o Mova-se, que apóia o movimento.

O Detran está cortando o ponto dos funcionários desde que o juiz decretou a ilegalidade da greve.