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A uma semana do vencimento do IPVA, é chegada a hora de o contribuinte decidir se o pagamento será feito à vista, com desconto, ou parcelado. Especialistas recomendam cautela e, sobretudo, planejamento.
Por mais que seja tentador e cômodo deixar para pagar as contas em prestações, nem sempre esta é a solução adequada, aconselham economistas. O desconto oferecido para o pagamento à vista é de apenas 5%. Ainda que o valor economizado seja pouco, ele pode se multiplicar se bem investido.
Além disso, é preciso lembrar que o valor de várias prestações somadas pode acabar descontrolando a vida financeira do consumidor. "Por que não incorporar novos hábitos, como o do pagamento à vista, evitando desperdícios?", pergunta o economista Roberto Zentgraf.
No entanto, para alguns consumidores, o parcelamento pode ser uma boa alternativa. De acordo com o economista César Gomes, "o desconto oferecido é até justo porque está bem próximo da inflação, mas também não está bom a ponto de ser altamente recomendável o pagamento à vista", explica ele.
Ainda de acordo com o economista, se o consumidor possuir o dinheiro guardado em poupança, o melhor é deixar render onde está e pagar o IPVA em duas cotas. "A poupança está rendendo de 7% a 8% ao ano. Se você deixar esse dinheiro lá, a rentabilidade será maior do que o desconto oferecido. Não vale a pena mexer", analisa Gomes.
Ele alerta também que o parcelamento deve ser a alternativa escolhida por quem já está apertado, e com outros compromissos financeiros. "É melhor pagar em duas vezes do que entrar no cheque especial", compara.
E se é este o seu caso, aí vai outra dica: analise quais os juros do parcelamento, em relação ao custo de uma linha de empréstimo ou financiamento no banco. Muitas instituições estão oferecendo crédito específicos para estas despesas de início de ano, como o IPVA.
"Geralmente as alternativas de crédito oferecidas nos bancos têm taxas de juros maiores do que os parcelamentos. Mas o importante, antes de tudo, é pesquisar muito e comparar", disse Gomes.
Ele explica para a pessoa que já está no cheque especial, o ideal é fazer o parcelamento através do banco. "O juros do banco chegam em média a 40% ao ano. Mas também é melhor do que uma taxa de 10% ao mês, como é a do cheque especial", conclui.
Opções de financiamentos bancários
Empréstimos. Confira algumas opções de crédito que os bancos oferecem para pagamento do IPVA:
Banco Santander
Linha: Além do IPVA, os clientes poderão pagar também outros débitos do veículo, como licenciamento antecipado, seguro obrigatório (DPVAT), multas pendentes e despesas de anos anteriores. A linha estará aberta até 31 de março.
Prazo: O financiamento pode ser pago em até 24 meses, com taxa de 2,85% ao mês e carência de até 90 dias para pagar a primeira parcela.
Bradesco
Linha: prazo de até 12 meses, com prestação mínima de R$ 20,00. No caso do IPVA, pode-se incluir no financiamento o custo do licenciamento do veículo e as multas do período. O cliente poderá escolher a data de vencimento da primeira parcela para até 62 dias após a contratação da operação. A taxa de juros é a partir de 3,08% ao mês e o produto está disponível até 28/11.
Banestes
Linha: Além do valor do Imposto, o Banco estadual oferece crédito para pagamento do seguro obrigatório (DPVAT), do licenciamento antecipado e das multas pendentes do veículo.
Condições: os valores financiados vão de R$ 150 a R$ 5 mil e podem ser divididos em até 12 parcelas, com carência de 30 dias. A taxa de juros fica entre 3,25% e 3,70% ao mês.
Banco do Brasil
Linha: BB Crediário: linha que financia todos os tipos de tributos da pessoa física: IPVA, IPTU, Imposto de Renda, etc.
Condições: O cliente pode financiar em até 48 meses, à taxa de 2,32% ao mês (que equivale a uma taxa anual de 31,68%). Paga ainda uma Taxa de Abertura de Crédito de 3,5% do valor da operação, limitado ao máximo de R$ 200,00, mais o IOF.
Parcelar ou não parcelar?
1. Calcule sempre as taxas: diante de uma proposta de financiamento, descubra a taxa mensal embutida. Se você não tem calculadora financeira, use o site www.bcb.gov.br/?prestifixa.
2. Se você pode pagar à vista: opte por isso sempre que a taxa calculada for maior que a taxa que você obtém em suas aplicações. Recomenda-se que a pessoa use a rentabilidade das aplicações de renda fixa para a análise. Neste caso, deposite em suas aplicações o valor das prestações que você iria pagar, nos respectivos vencimentos.
3. Se você não possui recursos para pagar à vista: opte pelo pagamento a vista sempre que a taxa calculada for maior que a taxa que você obteria em um empréstimo. Neste caso, faça o empréstimo bancário, pague o imposto ou a conta à vista e fique devendo ao banco, pagando-o nos prazos estipulados, para evitar multas e outros encargos.
4. Diante de várias oportunidades: caso você não tenha dinheiro para liquidar todas, opte pelas mais caras, que não necessariamente são as maiores, mas sim as que embutem as maiores taxas. Por exemplo: se você tiver dívida de R$ 500 no cheque especial (10,27% ao mês); R$ 1.000 no CDC (3,01% ao mês) e R$ 1.000 em conta corrente, será preferível zerar o cheque e pagar metade da dívida do CDC, pois assim você ficará devendo apenas R$ 515,05 no CDC. Caso você optasse por zerar toda a dívida do CDC, no mês que vem ficaria devendo R$ 551,35 no cheque.
Milena Murta
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