A busca pela habilitação aumentou em 50% nos postos de atendimento do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-CE) desde o final da grave dos servidores do órgão, ocorrido no último dia 15. Como resultado, há demora no atendimento, o que gera reclamações das pessoas que procuram os serviços oferecidos pelo Departamento.
Ontem, por exemplo, no posto da Avenida Santos Dumont, o público não apenas reclamava da demora na prestação do serviço, quanto da falta de iniciativa do Detran em dar vazão aos procedimentos que estão acumulados.
Filas extensas, funcionários insuficientes para dar conta do aumento da demanda fazem parte do cotidiano da sede do Detran, na Avenida Godofredo Maciel, e em seus postos, principalmente, os localizados nas avenidas Santos Dumont e Bezerra de Menezes.
O diretor de habilitação do Detran, João Bezerra, reconhece que o atendimento no Detran, antes da greve, era em torno de 800 pessoas diariamente, somente em busca da habilitação. Atualmente, o número é de 1.200, o que implicou num aumento em 50%.
O problema maior enfrentando pelo órgão, como admite Bezerra, é a limitação dos quadros de funcionários. Atualmente, o órgão conta com cerca de 600 funcionários e muitos estão próximos da aposentadoria. A defasagem decorre da falta de concurso público, uma vez que o último realizado aconteceu em 1979.
Contudo, um dos efeitos mais negativos da greve tem sido o agravamento da expedição dos documentos de transferência de veículos. Segundo o Sindicato dos Despachantes Documentalistas do Ceará (Sindece), há cerca de 3.500 documentos de transferência no aguardo de conferência.
Os últimos documentos despachados são de 19 de setembro, segundo informou o presidente da entidade, Sérgio Holanda, que critica a morosidade nas decisões administrativas.
Para João Bezerra, a maioria das dificuldades encontradas pelos usuários foi decorrente da própria greve. Ele explica que muitos serviços, tais como os exames práticos para a habilitação, inspeção de veículos e a realização de blitze só podem ser realizadas por funcionários de carreira, o que ficou muito tempo suspenso.
No entanto, o diretor de Habilitação do Detran descartou a possibilidade de se promover uma força-tarefa para dar vazão aos documentos em tramitação ou estender horários para o atendimento ao público.
Enquanto isso, as reclamações se multiplicaram na manhã de ontem. A artesã Socorro Shirley lembrou que até procedimentos simples e que demandariam apenas de serviços de manutenção deixaram de funcionar no posto da Santos Dumont. Ontem, o serviço de fotografia digital ficou quase toda a manhã sem funcionar, por causa de problemas técnicos.
Com isso, ela teve que se deslocar à sede do órgão e enfrentar uma extensa fila. “É um tipo de serviço que é lento, mas poderia não ser, caso houvesse investimento em mais pessoal”, disse a artesã que tentava marcar exame de legislação.
Os transtornos foram motivos de queixas para Marilene Monteiro. Há mais de um mês ela comprou um carro. Até ontem, ainda não havia conseguido fazer a vistoria no veículo. A demora, diz, causou prejuízos. Como comerciante precisava se deslocar pela cidade, mas não pode utilizar o veículo.
ASSEMBLÉIA Funcionários decidem hoje sobre paralisação
Foi positiva a reunião ocorrida ontem entre representantes do Sindicato dos Servidores do Detran (Sindetran) e o governador Cid Gomes, no Palácio Iracema. No entanto, a possibilidade de uma nova greve somente será decidida na manhã de hoje, em assembléia da categoria, que acontecerá na sede da entidade.
Segundo a presidente do Sindetran, Eliene Uchôa, foram acenadas várias possibilidades de conquistas para a categoria. A principal delas é a implantação do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS).
“A audiência foi produtiva, mas o futuro de nossa mobilização deverá ser decidida pelos próprios trabalhadores”, disse Eliene. Com assembléia dos funcionários, na manhã de hohe, vários serviços voltarão a ficar comprometidos.
Prejuízos
“O prejuízo maior que essa greve causou foi o constrangimento para o profissional despachante, para os lojistas, as operadoras de crédito e para os usuários em geral”. A avaliação é do presidente do Sindece, Sérgio Holanda, ao avaliar as duas semanas posteriores ao final da paralisação dos servidores do Detran.
Segundo Holanda, os prejuízos são extensivos a diversos segmentos que lidam com compra e venda de carro, diante da dificuldade de se obter a documentação de transferência do veículo. “Estamos hoje com mais de 3.500 documentos emperrados. Em tempos passados, bastava que esse número chegasse a 2 mil para que o Detran providenciasse uma ação especial, tal como uma força tarefa”, disse o presidente.
Ele lembra que a morosidade na concessão das transferência já se fazia sentir bem antes da greve. No entanto, a paralisação agravou o processo, aumentando as dificuldades para a concessão do documento.
Apesar do Detran contar com muitos serviços sendo executados por funcionários terceirizados, algumas atribuições são próprias dos servidores de carreiras. Dentre eles, e que está comprometida, segundo ele, é a de vistoria de veículos.
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