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Engenheiro encontra cópia de seu Fiesta estacionado em frente à 35ª DP (Campo Grande). O carro não estava apreendido e os policiais se negaram a registrar queixa. Corregedoria abriu inquérito
Rio - Após ter seu carro clonado, o engenheiro mecânico Arthur Cavalcante Albuquerque Júnior, 51 anos, conseguiu o mais difícil: achou a cópia de seu Fiesta prata KNB-6560, de Teresópolis, façanha que ocorre só em 11,47% dos casos parecidos com o seu.
Surpreendentemente, o veículo irregular estava na calçada em frente a uma delegacia, a 35ª DP (Campo Grande). Mas os policiais de plantão no domingo se recusaram a registrar a queixa. A Corregedoria da Polícia Civil abriu inquérito para investigar se o clone é de algum de seus agentes.
“Fiquei das 17h às 20h lá e não consegui registrar queixa. Só me disseram que o único registro que constava no sistema era que o Fiesta com placa clonada tinha sido roubado no Cachambi, no início de 2007. Na 35ª DP, estranhamente, não constava nenhum documento de apreensão do veículo”, afirmou Arthur, morador da Ilha do Governador, que já recebeu 50 infrações do clone em sua casa: uma conta de mais de R$ 2,8 mil, que começou a crescer em abril de 2007.
AMIGO FEZ A DESCOBERTA
Foi um amigo do engenheiro que viu o carro clonado estacionado em frente à DP e lhe avisou. O engenheiro então fotografou os dois veículos lado a lado. Bastou ele sair da delegacia para, meia hora depois, o clone ser rebocado para o Pátio Legal, no bairro de Deodoro.
A conduta dos policiais enfureceu o delegado titular da 35ª DP, Marcus Neves, que abriu sindicância para investigar se o clone pertence a algum policial civil ou militar. Ele só soube do problema ontem à tarde, ao ser procurado pela equipe de reportagem de O DIA.
“Os policiais terão que dar explicações convincentes. O procedimento foi totalmente incorreto. Deveriam ter feito um registro e os dois carros tinham que ser apreendidos imediatamente para perícia. Quero saber por que o reboque foi feito logo depois que o engenheiro foi embora”, afirmou Neves.
O delegado ainda cogitou que o Fiesta irregular possa ter sido ‘plantado’ por milicianos da região para prejudicá-lo. “Estamos dando combate ferrenho a esses grupos de paramilitares e isso tem provocado reações violentas. Um falso disque-denúncia, por exemplo, deu conta que eu extorqui R$ 700 de um topiqueiro em Campo Grande. Um absurdo”, ponderou Neves. O policial comandou ação que apreendeu, em Cosmos, dois carros usados pela milícia.
Segundo o Setor Anticlonagem do Detran-RJ, de janeiro de 2000 a junho deste ano, 6.109 carros foram clonados no Estado do Rio. O pico aconteceu em 2003, quando 1.098 veículos tiveram placas copiadas. Entre 2006 e 2007, houve aumento de 37,7% nesse tipo de golpe.
O delegado titular da Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA), Ronaldo Oliveira, atribui o aumento à maior repressão ao roubo de carro. Segundo ele, os bandidos que usam carros roubados para praticar outros crimes têm tido mais dificuldade para trocá-lo por outro veículo roubado. Assim, clonam os que têm para poder passar despercebido em blitzes.
Motorista teme usar o próprio veículo
Arthur peregrinou pelo Detran-RJ e pela Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA). Laudo pericial da polícia comprovou que o carro dele é o original. Depois o Detran alertou os órgãos emissores das multas para que elas fossem anuladas.
Mas essas providências não devolveram o sossego ao motorista. “Já não sei mais a quem recorrer. Com tantas multas, não consigo nem vender o veículo. Tenho até medo de ficar rodando com minha família no meu carro. Quem garante que o Fiesta com a placa clonada do meu não estava sendo usado para cometer crimes?”, questiona. Ele desconfia que a clonagem possa ter sido feita em 2006, quando o Fiesta foi roubado. Na época, ele estava com o dono anterior.
Noventa por cento das multas do clone são por excesso de velocidade no Recreio, na Barra da Tijuca, em Campo Grande, em Paciência, e linhas Vermelha e Amarela, além de São Gonçalo e São João de Meriti.
O QUE FAZER SE SEU AUTOMÓVEL FOR COPIADO
NA HORA DA COMPRA Quando comprar veículo usado, consulte a placa no site do Detran www.detran.rj.gov.br, nos ícones ‘veículos’ e ‘multas’ para saber se ele é roubado, se tem infrações e se o nome que consta no documento é o mesmo informado pelo vendedor. Confira também o número do chassi.
CLONAGEM Receber multas de onde você não circula é um indício da fraude.
Vá ao Setor de Investigação de Clonagem do Detran, no 28º andar da Av. Presidente Vargas 817, Centro.
Depois, vá para a DRFA, onde será feito registro e perícia no seu carro.
Para abrir a investigação, faça requerimento assinado pelo dono do carro; originais e cópias do CRLV; carteira de habilitação; CPF; identidade; comprovante de residência; fotos coloridas e impressas do veículo com data; boletim de ocorrência e laudo da DRFA.
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